Navigation Menu+

Diva

« de 13 »

Intervenção na paisagem, na Usina de Arte (em Água Preta, Pernambuco, Brasil), 2020
Concreto armado, resina e pigmento
Dimensões: 33 x 16 x 6 m

“Numa terra arrasada pela monocultura do açúcar e seus traumas sociais – as terras da Usina Santa Terezinha, desde 2015 transformada em Usina de Arte (no município de Água Preta, em Pernambuco) –, Notari abre outra ferida.

Diva, uma prospecção-buraco-escultura de 33 metros de comprimento, abcesso que dar a ver a violência histórica sobre os corpos femininos e que seguem sendo cotidianamente feridos de muitas – e, a depender de sua cor ou gênero, de distintas e assimétricas – maneiras, assim como o corpo de Gaya, a nossa Mãe terra. Além destes corpos, Diva traz à tona os traumas coloniais imensuráveis que, contra a invisibilização, seguem lutando por reparação. Enquanto ferida, a própria Diva segue reencenando – posto que revira feridas abertas – as desigualdades raciais sobre as quais se assenta o Brasil, sintoma de um campo da arte que, tal qual outros âmbitos da sociedade, historicamente exclui corpos não-brancos”.

Clarissa Diniz

Diva: os primeiros 30 dias [ebook]

A obra Diva (2020), de Juliana Notari, que deflagrou um dos debates mais intensos da arte contemporânea brasileira, ganha seu registro editorial. Com cerca de 250 páginas, a publicação Diva: os primeiros 30 dias é organizada por Juliana Notari, Clarissa Diniz e Inês Maia. O volume revisita o primeiro mês de recepção da escultura monumental — uma vulva de 33 metros escavada na Usina de Arte, em Água Preta (PE). Desde sua divulgação, em janeiro de 2021, a obra gerou centenas de milhares de comentários, compartilhamentos, matérias jornalísticas, memes e análises que a transformaram em um fenômeno cultural, político e estético sem precedentes no Brasil recente.


O livro reúne registros que vão de posts em redes sociais a textos críticos, matérias de imprensa e memes que circularam intensamente, compondo um mosaico de vozes muitas vezes antagônicas — entre admiradores, críticos, militantes políticos e até lideranças religiosas. Dessa forma, o volume evidencia como a repercussão da obra ultrapassou o campo da arte e alcançou a esfera pública, alimentando debates sobre feminismo, censura, liberdade de expressão, colonialidade, além de questões de gênero, raciais e ambientais, num Brasil polarizado.

Próximo >